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Bussaco • Portugal

Palace Hotel Bussaco: um palácio português, uma mata e tempo para abrandar

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Palace Hotel Bussaco.

Há hotéis que são uma boa base para uma viagem e outros que se tornam o seu centro. O Palace Hotel Bussaco pertence à segunda categoria. Perto do Luso, a norte de Coimbra, um palácio exuberante ergue-se numa paisagem de jardins, caminhos e fontes. A arquitetura merece a visita; a mata merece que se fique. Talvez a melhor estadia aqui seja aquela em que a agenda tem mais espaço livre.

Um palácio para olhar devagar

Comece pelo exterior. Acompanhe o desenho dos arcos, das varandas e da pedra trabalhada antes de tentar abarcar todo o edifício. O neomanuelino do Bussaco recupera a linguagem ornamental portuguesa do século XVI, com referências à Torre de Belém. Luigi Manini, arquiteto e cenógrafo, deu ao projeto a sua imaginação singular. Outros arquitetos desenvolveram o conjunto, entre eles Norte Júnior, responsável pela Casa dos Brasões.

O lugar convida a outra maneira de visitar: regressar a uma fachada a uma hora diferente, reparar num pormenor sobre uma entrada, deixar que o edifício se revele aos poucos. Esta arquitetura merece mais do que uma fotografia a caminho de outro destino.

Arte portuguesa para descobrir no interior

No interior, a decoração faz do hotel um destino para quem se interessa pela arte portuguesa. Os painéis de azulejos de Jorge Colaço levam temas literários e históricos aos salões e espaços de circulação, incluindo episódios associados à Batalha do Bussaco. Pinturas, esculturas e portais elaborados prolongam a relação entre arquitetura e memória nacional.

Observe a ligação entre os materiais, em vez de passar apressadamente de uma obra conhecida para outra: a forma como o azulejo enquadra uma escadaria ou a pedra esculpida transforma uma porta. O prazer está na sucessão de pormenores e no trabalho que cada um revela.

O palácio na Mata do Bussaco.

Um capítulo real à beira da mudança

A história publicada pelo próprio hotel regista visitas de D. Carlos e D. Amélia em agosto de 1904. Associa também D. Manuel II e a artista francesa Gaby Deslys ao Bussaco em 1910, ligação igualmente referida pela entidade regional de turismo. Estes relatos dão uma dimensão humana ao palácio, para além da sua silhueta monumental.

Um momento de maior alcance político chegou a 27 de setembro de 1910, com as comemorações do centenário da Batalha do Bussaco. O hotel identifica a ocasião com a última cerimónia oficial da monarquia, pouco antes da implantação da República. É um encontro expressivo entre lugar e história: um cenário de cerimónia no limiar de uma mudança de regime.

Os nomes no Livro de Ouro

A memória cultural do Bussaco vai muito além da realeza. Num artigo publicado na TNews em 2024, o investigador Jorge Mangorrinha descreveu a consulta do Livro de Ouro do hotel e referiu um registo da visita de Agatha Christie em 4 de julho de 1965. O seu relato identifica também entradas de Amália Rodrigues, Geraldine Chaplin, Manuel Alegre e do Presidente Mário Soares.

Estes nomes aproximam música, cinema, literatura e vida pública da história do hotel. Para quem o visita hoje, acrescentam interesse aos salões e corredores: uma lembrança das vidas tão diferentes que aqui se cruzaram.

Antes do hotel, um lugar de recolhimento

A história desta paisagem começou muito antes do palácio. A construção do convento carmelita teve início em 1628, e a comunidade religiosa permaneceu até à extinção das ordens religiosas, em 1834. Em 1810, durante a Guerra Peninsular, Wellington utilizou o convento como base de operações no contexto da Batalha do Bussaco. Esse episódio pertence ao convento e à paisagem envolvente, várias décadas antes da existência do hotel.

Conhecer esse passado muda o passeio no exterior. Os vestígios religiosos e a mata fazem parte da identidade do lugar, dando à arquitetura palaciana um contexto mais antigo e recolhido.

Deixe que a mata marque o ritmo

A Mata Nacional ocupa cerca de 105 hectares. No seu interior, os jardins formais dão lugar a ambientes florestais muito diferentes. O Vale dos Fetos, criado em 1887–1888, apresenta alamedas de fetos arbóreos; junto ao palácio, o jardim oferece um enquadramento mais desenhado ao edifício.

Para um passeio com um tema definido, o Trilho da Água da fundação liga fontes e elementos de água, incluindo a Fonte Fria e o Vale dos Fetos. Escolha o percurso de acordo com o tempo e a sua disposição, deixando espaço para pausas. O relevo é acidentado, pelo que convém levar calçado confortável e verificar as condições atuais dos caminhos. Um passeio curto, sem pressa, pode ser tão gratificante como uma volta mais longa.

Fonte Fria na Mata do Bussaco.

Reserve a noite para o hotel

Há uma boa razão para regressar da mata com tempo. O restaurante Mesa Real associa cozinha portuguesa a um ambiente ricamente decorado, com pinturas inspiradas em Camões e um teto ornamental. A refeição pode fazer parte da experiência arquitetónica. Consulte os menus atuais e reserve diretamente se o jantar for uma parte importante da estadia.

O Bussaco integra também a história dos Hotéis Alexandre Almeida. O grupo situa a sua fundação em 1917 e apresenta-se hoje sob gestão da terceira geração da família. Essa continuidade tem lugar num especial sobre a hotelaria portuguesa: contam os edifícios e conta a tradição de receber quem os visita.

A nossa sugestão: duas noites no Bussaco

Para uma primeira visita, sugerimos duas noites, se o itinerário permitir. Dedique a primeira tarde ao palácio e aos jardins e reserve a manhã seguinte para a mata. Deixe um intervalo generoso para almoçar, ler ou simplesmente estar, fazendo do jantar o principal compromisso da noite. Coimbra e a Bairrada oferecem possibilidades para prolongar a viagem, mas o hotel merece mais do que uma passagem apressada entre ambos.

Antes de reservar, informe-se sobre a categoria e a vista do quarto, os acessos através da mata e eventuais necessidades de mobilidade. O interesse é muito próprio: um enquadramento histórico, uma decoração marcante e natureza por perto. Para quem procura estas qualidades, o Bussaco reúne os ingredientes de uma estadia profundamente portuguesa.

Descobrir o Palace Hotel Bussaco

Um especial de património pesquisado pela BEST TRAVELS. As referências ao Livro de Ouro são atribuídas ao relato publicado indicado nas fontes.

Fontes
Créditos fotográficos
  • Palace Hotel Bussaco. Bli (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bussaco_palace_hotel.jpg) • CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0/)
  • O palácio na Mata do Bussaco. Pedro Nuno Caetano (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Bu%C3%A7aco_%287993715911%29.jpg) • CC BY 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/)
  • Palácio e jardins formais. Pedro Nuno Caetano (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:On_day_in_Bu%C3%A7aco_I_(49880459431).jpg) • CC BY 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/2.0/)
  • Fonte Fria na Mata do Bussaco. Vitor Oliveira (https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Fonte_Fria_-_Mata_do_Bussaco_-_Portugal_%2850331734307%29.jpg) • CC BY-SA 2.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0/)